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Bom pessoal, como muitos de vocês já sabem esse ano o Circocan promoveu intercâmbios internacionais, mandando professores para treinar em escolas acrobáticas ao redor do mundo. Já colocamos aqui alguns posts sobre a vida de treinos e acrobacias na China na Beijing International Art School, com relatos meus e do Tiago Lambão.
O que muitos não sabem, até porque acabou acontecendo até de última hora, é que nos meses de Junho e Julho a professora Fernanda Jorge conseguiu durante sua estadia na Itália frequentar e realizar alguns curso na FLIC – Scuola di Circo.
Copio abaixo os relatos e impressões da escola, uma das mais tradicionais da Itália, localizada em Torino:
Em 1844, Rodolfo Obermann instrutor de ginastica da Academia Militar de Torino fundou a Reale Società Ginnastica di Torino o que difundiu a ginastica artística pela Itália. A nove anos foi fundada a FLIC Scuola di Circo contemporâneo, que traduz a linguagem técnica da ginastica e da dança em expressão artística. A escola utiliza um edifício localizada em Torino, Itália, onde no andar térreo esta a secretaria, refeitório, museu e o teatro.

Treinos e espetáculos são realizados no teatro, e na área de acrobacias e circo principalmente trapézio, tecido, corda bamba (em cabo de aço) e roda alemã. Porém no mesmo local acontecem também treinos de atletismo (salto sobre barra) e fisioterapia – existe uma academia na lateral do teatro. No segundo andar a arquibancada para teatro e uma sala de dança. Ja no terceiro andar fica a sala da ginastica olímpica onde foram instalados alguns equipamentos de circo e é nessa sala que estou treinando. No quarto andar fica uma sala de alongamento e aulas de pilates.
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A escola funciona o dia inteiro com diversas opções de aulas, tanto para o circo quanto ginastica e são separadas entre crianças e adultos, e adulto básico e avançado. As aulas avançadas são bem divididas entre treinamentos físicos no solo (corrida, exercicios específicos, abdominais, flexões) e a parte mais técnica onde cada aluno se dirige ao aparelho que deseja se apronfundar.
Os professores se dividem entre tecido e trapézio/lira. Em geral – como está em alta na Europa – as acrobacia aéreas são mais focadas em performances dinâmicas (menos posições estáticas e mais trocas rápidas), com técnicas mais conteporâneas. Esse estilo é um pouco diferente do que realizamos no Circocan, o que é excelente, já que poderemos colocar nas aulas e treinos novos exercícios e dinâmicas para treinos de tecido, trapézio e lira.
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Ainda pude presenciar algumas performances de artistas e alunos que estavam treinando para a performance de fim de ano da escola (o ano letivo na Europa vai de Agosto a Junho). Idéias e conceitos importante e interessantes que poderemos explorar no Brasil assim que voltar.
Mas antes de voltarmos ao Brasil, o Circocan recebeu reforços em terras chinesas! Graças ao bom relacionamento aqui na escola, e as tarifas aéreas facilitadas conseguimos que a Fefa viesse pra Beijing treinar conosco por duas semanas, assistir alguns espetáculos e conhecer a escola e nossos colegas. Ainda essa semana postaremos algumas fotos de treinos da equipe Circocan na China, por enquanto vai a foto do espetáculo que assistimos na última terça-feira.
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E ai meu Brasil!
Ouvi falar que estão congelando porai! Por aqui o calor é quase que insuportável, ar seco, as vezes bem poluído, chuva raramente a cada 10, 15 dias. Normalmente 30, até 35 graus durante o dia, e no sol a sensação térmica é de muito mais. Para treinar não é de todo ruim, muito melhor que treinar no frio, mas as vezes o calor desgasta o corpo mais do que estamos acostumados, com isso o rendimento cai um pouco quando não conseguimos repor todos os minerais e liquídos perdidos.
Como tenho muito para contar, dividirei os próximos posts em 3 assuntos, explorando a instituição (Beijing International Art School) e como as coisas funcionam por aqui, nossa rotina de treinos e vida em geral, e as pessoas com as quais convivemos por aqui, artistas, colegas, professores…
Hoje falarei sobre a Beijing International Art School (BJIAS), insituição que estamos estudando, treinando e morando. A maioria das informações são muito do que ouvimos e um pouco do que podemos ler aqui que é traduzido para o inglês.
A Beijing International Art School foi fundada em 1999 para contemplar e hospedar os estudos das principais atividades relacionadas as artes. Para isso, juntou-se à já existente Beijing Acrobatic School e criou uma escola com 3 departamentos principais – Acrobacias, Artes Marciais e Dança. Obviamente por ser o mais tradicional e antigo no país o departamento de acrobacias ficou com maior destaque, e com os maiores investimentos de estruturas e pessoal.

Projeto final da escola – maior parte já concluída, mas ainda com algumas construções inacabadas
No mesmo complexo fica sediada também a China National Acrobatic Troupe, grupo que possuí os melhores acrobatas dos país, e foi a primeira trupe da China, estabelecida na década de 50 pelo governo. Dentre os prêmios, destaque para o Golden Award no 28th Festival de Circo de Monte Carlo, condecoração máxima no circuito de circo e acrobacias. Ainda vale citar os dois primeiros lugares no Cirque du Demain Festival – Golden Award com o ato de Slack Wire na 24th edição e o Diabolô na 26th edição.
Pela primeira vez em sua história a China National Acrobatic Troupe fará turnês pelos Estados Unidos e Canadá, apesar de já ter viajado pela maioria dos países Europeus, América Central e Ásia. Encontrei um pequeno informativo divulgando a nova turnê do grupo na América do Norte, eles citam brevemente a estrutura do escola e como funcionam as pesquisas e produções da instituição. Para quem quiser ler (em inglês): http://www.cami.com/?webid=1928
A estrutura aqui é de invejar qualquer grande universidade no Brasil. A cultura de acrobacias faz parte do dia-a-dia do país, e por isso se investe pesado. A instituição é financiada pelo governo, e diferentemente do Brasil, por ser do governo é tudo novo, bem cuidado e estruturado. Já contei com detalhes a estrutura de treinos no post anterior, mas basicamente são 3 grandes prédios, mais dormitórios para cerca de 400 pessoas, mais 2 prédios residencias para estudantes e professores… sem contar refeitórios, cantinas, quadras poliesportivas, bosque…
É difícil imaginar que algum dia pretendemos competir nos esportes olímpicos com um país que investe tanto no esporte e na cultura. O que vejo aqui é só um pedacinho do que acontece pelo país afora. Se eles tem uma estrutura dessa para circo e acrobacias, que não tem o mesmo apelo comercial e econômico dos esportes olímpicos, imagina o que eles não fazem pra conquistar bons resultados no evento esportivo mais importante do mundo…
Nossa escola é apenas uma das várias espalhadas pelo país, talvez seja uma das mais bem equipadas, mas não é a única com este nível. Basicamente cada região/cidade tem sua própria escola de circo/acrobacias, isso sem contar as mais fechadas que ainda funcionam numa espécie de regime militar e acabam tendo um treinamento mais intenso. Pudemos ter uma noção do nível de investimento e importância dado as acrobacias há cerca de duas semanas, quando fomos levados pra assistir a uma competição "interescolar". As principais instituições do país levam um ato para apresentar aos juízes, no total foram 24 escolas cada uma com um ato diferente.
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Foto do espetáculo da China National Troupe – Handstandas, Hand to Hand e equilíbrios
Pelo que vimos, o da nossa escola era o mais consistente, com artistas mais experientes (o número apresentado foi o mesmo feito no Cirque du Demain Festival ano passado), mas mesmo assim outros 2 ou 3 números batiam de frente com o nosso. O nível técnico de todos os atos era bem elevado (Teeter Board com duplo/triplo, banquines com duplos piruetados, handbalancing a 10m de altura) se levarmos em consideração que são em sua maioria alunos (crianças e adolescentes), mas algumas vezes pela inexperiencia cometendo alguns errinhos bobos.
Além dessas competições, as principais escolas tem um show permanente que viaja ou algumas vezes fica residente em algum teatro local. A National Acrobatic Troupe tem o show que viaja o mundo, que são os dos artistas "top" do grupo (que saem nas turnês citadas anteriormente). Ainda, tem outros 3 grupos "A", "B" e "C" que seria o equivalente a "primeira, segunda e terceira divisão" dos artistas da trupe e realizam excursões dentro do próprio país e shows em Beijing.
Todos os artistas treinam aqui no mesmo local que a gente (na maioria das vezes em salas diferentes), e podemos acompanhar o dia-a-dia e a rotina de todos eles. Quase que 100% moram aqui dentro do complexo, comem, treinam e dormem aqui desde pequenos. No período de férias (julho e agosto) apenas os departamentos de dança e artes marciais saem, todos os acrobatas permanecem treinando já que os shows e produções não param.
As crianças iniciam seus programas de treinamento ainda pequenas com 7, 8 anos e podem ficar até os 15, 16 estudando no programa regular da escola (dança, acrobacias ou artes marciais). A partir dessa idade ficam por aqui os que estão qualificados para fazer parte da trupe (equipes de apresentação e treinamento de alto rendimento), ou então os que querem finalizar seus estudos acadêmicos na instituição.
Valendo um escorpião no palito – quantos anos tem as chinesinhas na foto com a gente?
Assim, podemos dizer que convivemos numa atmosfera bem heterogênea. Crianças, adolescentes, adultos, todos treinando juntos, se ajudando e evoluindo todos os dias. É bem comum menininhas de 12, 13 anos trabalhando com acrobatas de 25, até 30 anos desenvolvendo números de hand-to-hand, straps, etc. No começo é um pouco estranho, mas faz todo o sentido, pois após receberem as primeiras experiências (dos 7 aos 12) com dança, flexibilidade e controle corporal, elas são encaminhadas para o trabalho especifíco acrobático, já visando a criação de um número para a Trupe Nacional.
Bom como vocês viram temos muito o que contar aqui, coisas que nem imaginamos quando estavámos no Brasil. No próximo post falaremos sobre a rotina de treinos e vida aqui do outro lado do mundo. Acompanhem, compartilhem e curtam!

Normalmente diante de uma dificuldade ou obstáculo precisamos nos apegar a alguma crença maior, para que possamos entender (ou tentar entender) os porques dos acontecimentos. Muito melhor é usar os fatos da vida para aprender com eles, superá-los, amadurecer e entender que tudo acontece por uma razão.
Na ultima quarta-feira (ontem) enquanto estavamos dando aula pra uma turma da graduação na PUC, o Lambão torceu o pé e teve uma hiperextensão do Tendão de Aquiles (tendão calcâneo). Para não chegar na China lesionado, e arriscar agravar o problema, decidimos que ele irá realizar um mês de tratamento aqui no Brasil, e dia 10 de Junho irá me encontrar em Beijing.
O que para muitos pode parecer "o fim", ou causar uma decepção grande é encarado diferente por nós. Nada melhor do que um Mestre do Parkour como o Lambão para nos ensinar que os obstáculos estarão no nosso caminho, cabe a nós enfrentarmos e superarmos ou apenas desistirmos e parar no meio do caminho.
Aproveitando nossa viagem pra China, e entrando um pouquinho na complexa e rica filosofia e cultura chinesa, vale citar a sabedoria oriental para analisar esse acontecimento, e entender porque não deve ser visto com arrependimento e tristeza. Ao contrário, deve ser visto como parte do Caminho, da opção que fizemos em viver da adrelina, da alegria, dos limites do corpo e da mente.
O Caminho (tradução literal do Tao – 道), é uma filosofia chinesa difundida por Lao Tse. Para o Taoísmo todas as coisas são felizes desde que evoluam de acordo com a sua natureza. Por isso, agora apesar de um pouco chateados, sabemos que isso é a vida e as coisas acontecem no momento em que devem.
Ainda, a China está lá há mais de 5.000 anos, e não vai ser em um mês que ela vai embora né? hahaha nesse meio tempo, eu vou preparando o terreno pra chegada do Lambão, e é claro aprendendo mandarim pra ser o tradutor dele nas primeiras semanas (NOT!). E ele, enquanto se recupera poderá ajudar na organização dos acontecimentos do Circocan, como o Acrobatividade II que rolará no começo de Junho!

Pra finalizar uma citação do Tao (道):
"A atitude taoísta é seguir com a vida – seguir ao longo de todo o caminho, sem impor condições. Seja aonde for que a vida o leve, siga com ela. Você é fruto da vida, você faz parte dela, então como ela poderia feri-lo? Não é preciso ter medo."
Bom, esse post sairá no meu nome, mas sei que o Lambão também compartilha e concorda com tudo:
Ultimamente tem sido dificil escrever sobre nossa viagem para a China!
Aulas, eventos, produção de comerciais… ficamos lotados de trabalho (ainda bem!) nessas últimas semanas no Brasil. Apesar disso, em nenhum momento conseguimos esquecer da viagem, nem mesmo relaxar e não falar dela a todo momento. Agora, faltando exatos 14 dias para o embarque (o post entrou no ar as 11h – horário que embarcaremos) começa a apertar o coração e o nózinho na garganta.
Desde o meio de março estamos com toda a documentação pronta, "apenas" esperando o embarque (isso é a pior parte, esperar e conter a ansiedade). Com a proximidade da viagem, milhões de idéias, medos, curiosidades e questionamentos veem a cabeça. O que encontraremos lá, como será a rotina, como ficarão os amigos, famílias, alunos e o Circocan por aqui…
As vezes parece que estamos sendo "testados", pois no último mês foi incrível o número de trabalhos, clientes e perspectivas de novos negócios que pintaram, quase como dizendo "tem certeza que vocês vão mesmo…?". Apesar de sabermos que será uma experiência fenomenal e até se tudo der errado e nos colocarem lá colhendo arroz por 4 meses será legal; bate uma saudade e uma certa insegurança.
Pra acalmar essa sensação de dúvida, nada melhor que a racionalidade. Ver fotos, conversar com quem está por lá, lembrar o "sonho utópico" que essa viagem parecia ser, reler emails e mensagens da nossa ansiedade antes da aprovação no curso, pesquisar locais e coisas pra ir e conhecer por lá, aumentam ainda mais a vontade de viajar e aprender com uma cultura totalmente diferente da nossa.
Parando pra pensar, rapidinho sabemos que nossa cabeça e nosso coração querem ir e vivenciar algo único.
Mais do que nunca estamos preparados, tanto no aspecto profissional, como no pessoal. O Circocan nunca esteve tão forte e estruturado, e certamente nossa equipe manterá o padrão de qualidade e excelência da escola. Ainda, o treinamento na China é mais uma etapa do crescimento, internacionalização e fortalecimento do Circocan. Sem dúvida voltaremos cheio de idéias, projetos, métodos e com muito conhecimento para compartilhar.
A partir de hoje entramos na contagem mais-do-que-regressiva (a regressiva começou lá pelos 80 dias… haha) e com menos de 15 dias pra viajar, esperamos conseguir dedicar um pouco mais de tempo pra compartilhar nossas idéias e expectativas pré-China. Pra isso, contamos com vocês perguntando e sugerindo temas para abordamos.
Já começamos a lista das coisas indispensáveis para fazermos lá, caso você tenha alguma sugestão ou dúvida e quer que a gente confira e conte como é, nos escreva! Antes de irmos ainda nos veremos por aqui, por isso não vou me despedir! ;)
Aula Circo Curitiba Acrobacias
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Ni hao!
Como já citei no post inaugural do blog, este ano eu e Lambão passaremos por um período de aulas e treinamento de Circo e Acrobacias na China. A viagem vem sendo planejada desde o ano passado, e em Janeiro desse ano recebemos a resposta definitiva, de que havíamos sido aprovados.
A Beijing International Arts School é uma instituição do governo chinês, que funciona como uma escola secundária no país. Por lá passam todos os estudantes em idade escolar a partir dos 9, 10 anos. Muitos deles acabam ficando e seguem carreira no Circo Imperial da China, ou sendo “exportados” para outros circos internacionais.

Departamento de acrobacias da Beijing International Arts School
Apesar de os técnicos e instrutores serem extremamente qualificados – a maioria deles são ex-artistas e atletas de acrobacias do Circo Imperial da China, e das equipes olímpicas chinesas – a divulgação e o site são extremamente discretos e pobres. É bem difícil encontrar informações, fotos e vídeos, mas depois de muito fuçar conseguimos contato com alguns alunos que estão lá atualmente.
Além do departamento de aulas de acrobacias, se juntam a instituição, os departamentos de artes marciais (Kung-Fu e Wu-Shu), danças chinesas e pinturas. A parte de acrobacias é a mais relevante, já que foi ela que deu origem a escola (antigamente chamava-se Beijing Acrobatic School). Por ano, são aprovados no máximo 50 estrangeiros para treinar e viver na instituição.
Muitos desses estrangeiros vem de países asiáticos, sobretudo Rússia, já que o alinhamento político desde os tempos da União Soviética, garantiu boas parcerias com o governo Chinês. Atualmente encontram-se na escola, até onde conseguimos pesquisar, cerca de 20 russos, a maioria deles vindos de uma província no nordeste da Ásia, intitulada Yakutsk.

Ginásio principal para acrobacias
De acordo com o pessoal que contatamos via Skype, os russos deixam a escola prontos para entrarem em qualquer show de alto nível. Normalmente eles passam um período de 7 anos treinando na BJIAS, e cada artista sai de lá com 3 ou 4 atos diferentes de acrobacias (chinese poles, hand-to-hand, equilíbrios, tumbling, etc).
Por coincidência, esse ano encerra-se o “ciclo”, e logo depois que chegarmos no mês de Maio, o grupo de russos que já está lá por 7 anos estará deixando a escola. Já em agosto, chega a próxima leva, que por lá deve permanecer pelo menos 5 anos.
Bom, temos muito o que contar sobre lá… vou ficando por aqui pra não deixar o post muito longo. Em breve escreveremos mais.
Perguntem, comentem e compartilhem!
Zai jian!