E ai galera!
Pra quem já estava ligado, acompanhou nossa viagem pra China e os desdobramentos dos intercâmbios do Circocan neste ano, sabe que novidades estão por chegar! A primeira delas acontece amanhã, dia 05 de Outubro!
Diretamente da China, estão chegando três treinadores/artistas que ficarão conosco até o fim do ano ajudando em aulas, treinos e promovendo workshops e apresentações especiais. São profissionais que tem uma longa trajetória nas acrobacias e no circo, com experiência internacional e passagens por Cirque Du Soleil, Beijing Acrobatic School entre outras companhias mundialmente conhecidas.
Conheça abaixo um pouco mais sobre eles, suas especialidades e história nas acrobacias:
ASHLEY DAVID LAU
Nacionalidade: Australiana
Idiomas: Inglês e Mandarim
Especialidade: Straps / Acrobacias Aéreas / Hand to Hand
Ao contrário de muitos artistas circenses que nascem com o dom e a paixão por acrobacias no sangue, Ashley Lau despertou para o circo após assistir a um show. Tomou a decisão de entrar no mundo das acrobacias às 3 horas da manhã, enquanto fazia um trabalho da faculdade e resolveu usar o Google Search para procurar um local em que pudesse treinar acrobacias. Achou a WA Circus School, escola de circo localizada em Perth, Australia. Mesmo sem qualquer experiência anterior em ginástica ou acrobacias, matriculou-se em todas as aulas disponíveis, experimentando e treinando desde barra russa até acrobacias de solo. No entanto, encontrou sua verdadeira paixão nas acrobacias aéreas, com trapézio duplo e tecido.
Mesmo sabendo onde seu coração estava, resistiu e seguiu a carreira de engenheiro por mais dois anos antes de finalmente assumir a vida acrobática. Almejando voos maiores, matriculou-se no programa de formação de 3 anos da Beijing Acrobatic School, mais renomada escola da China, onde especializou-se em Straps Solo e Duo. Ao graduar-se recebeu o convite do Circocan para vir ao Brasil juntar-se a equipe da escola, e, porque não, ajudar outros a despertarem para o mundo das acrobacias.
FAITH WASSMANN
Nacionalidade: Coreana / Americana
Idiomas: Inglês, Francês e Mandarim
Especialidade: Hand to Hand / Acrobacias de Solo / Ginástica
Faith nasceu na Coréia do Sul, mas ainda bebê foi para os Estados Unidos. As acrobacias estiveram presentes em sua rotina desde a infância, quando ainda criança já treinava ginástica artística em alto nível no Estados Unidos, e chegou a destacar-se como ginasta de nível nacional. Ainda no colégio, juntou-se a equipe de Saltos Ornamentais, mas sempre mantendo-se próxima as acrobacias, lecionando cursos e oficinas de ginástica na Rússia durante o verão, e mais tarde como treinadora de escolas de ginástica de alto rendimento (Brestyan's, Shen's, e Elite Gymnastics).
O trabalho de treinadora e os saltos ornamentais não foram suficientes para mantê-la, e após graduar-se no Smith College, ingressou na Universidade de Direito de Boston. Nesse período entrou em contato com o Cirque du Soleil que estava na cidade, aonde conheceu seu parceiro Jacob. Pouco tempo depois, decidiu deixar os estudos e sua vida em Boston para perseguir a carreira de acrobata. Após dois anos na Beijing Acrobatic School, Faith Wassmann vem ao Brasil para compartilhar seu conhecimento na área de ginástica e acrobacias.
JACOB SKEFFINGTON
Nacionalidade: Americana
Idiomas: Inglês, Francês e Alemão
Especialidade: Hand to Hand / Handstands / Malabares / Acrobacias em geral
Jacob começou no circo com 12 anos quando ingressou em um projeto em sua cidade. Dali rapidamente evoluiu suas habilidades e em poucos anos já se apresentava com a trupe Flying Circus Gravity. Após alguns anos ensinando e apresentando com o grupo, foi aceito no Circus Smirkus, renomada trupe circense para jovens que viaja pelos Estados Unidos fazendo espetáculos. Lá teve contato com os principais técnicos e treinadores de acrobacias da escola russa, além de diversos artistas locais que se apresentavam com o Smirkus por onde ele passava. A partir desta experiência resolveu levar a vida acrobática a sério e entrou para a única escola profissional de circo da America do Norte, a Escola Nacional de Circo do Canadá (Montreal).
Após completar o programa de graduação de 3 anos, foi chamado para juntar-se ao maior e mais famoso circo do mundo. No Cirque du Soleil apresentou-se com o show Kooza por 2 anos, espetáculo que conta com os melhores artistas e mais tradicionais famílias de circo do mundo. Saiu da companhia para ser treinador de acrobacias em equipes de Elite nos Estados Unidos e desenvolver novos projetos de Hand to Hand. Antes de vir ao Brasil, passou 2 anos na Beijing Acrobatic School treinando com sua nova parceira Faith.
Parte do intercâmbio que planejamos na China, inclui a realização de visitas, pesquisas e a integração com diferentes culturas e influências circenses. Desde o começo do ano já vinha em contato com a personagem principal do espetáculo Zaia do Cirque du Soleil, e em Junho ela e uma das trapezistas do show vieram nos visitar em Beijing, e nos convidaram para visita-las em Macau – cidade sede do show Zaia.
O que inicialmente era apenas uma visita para assistir a um dos mais recentes espetáculos do Cirque, tornou-se numa incrível experiência de bastidores, vivencia com os artistas, riggers, diretores e técnicos do show. A produção fica instalada permanentemente dentro de um Casino na ilha de Taipa, Macau. Desde sua fundação pelos portugueses, Macau é uma importante cidade no eixo comercial – Ásia, Europa e Japão – iniciada pelas explorações navais, e em seguida incentivada economicamente pelas trocas comerciais entre as colônias europeias na Ásia e as potencias asiáticas. Em 1999, após 400 anos sob poder e administração dos portugueses, o território foi devolvido a China e atualmente funciona como uma administração mista do próprio “País” Macau, e da República Popular da China.

Vista de um dos principais pontos turístico na Ilha de Taipa, Macau. À esquerda City of Dreams Casino, à direita Venetian Casino.
Por ter sempre sido uma rota muito visitada por viajantes, comerciantes e homens de negócios, Macau é uma das grandes potencias de entretenimento e jogos de azar no sudeste asiático. Recentemente, grandes conglomerados econômicos passaram a investir pesado na região construindo cassinos e hotéis milionários para atrair novos turistas e negócios. Exatamente com essa ideia foi construído o Venetian Casino, empreendimento que conta Hotel, Restaurantes, Shoppings, Parques e o teatro do show Zaia do Cirque du Soleil, todos dentro do mesmo complexo.
A estrutura do teatro é incrível. Durante o show, diversos artefatos e cenários são trocados, sobem e descem do teto, neve artificial e até um balão gigante que transporta a personagem principal “Zaia”, e se move por todo o teatro. Talvez o mais impressionante seja a rig do Trapézio Voador, que em menos de um minuto desce do teto, é montada e fica pronta para a apresentação.

Circocan acompanhando o treino da equipe de Trapézio Voador
O número de trapézio voador é espetacular, a música e a dinâmica garantem atenção do começo ao fim. A equipe realiza alguns dos truques mais “tops” atualmente (triplos, double double, cutaway full and a half…). Infelizmente no dia que assisti o show a equipe não estava completa, já que um dos catchers principais tinha se machucado poucas horas antes do show. De qualquer forma não fiquei triste já que havia visto dois treinos da equipe antes do show, nos quais vi todos os truques do show e mais alguns ainda estão em treinamento (quádruplo, salto full salto). Para quem quiser conferir alguns vídeos dos trapezistas:
Graças a amizade que já tinha feito com algumas das meninas do show, pudemos frequentar todas as áreas internas e exclusivas do Cirque. Salas de treino, maquiagem, figurino, fisioterapia… Além é claro de várias conversas, jantares e festas com os artistas. Obviamente, o pessoal com que tive mais afinidade e assunto foram os trapezistas, a maioria deles venezuelanos erradicados nos Estados Unidos. Antes de ir para o Zaia, estavam em Las Vegas onde tinham shows e vários trabalhos com trapézio voador. Dos quase 15 trapezistas, dois são brasileiros, ambos já algum tempo fora do Brasil fazendo shows de voador e viajando pelo mundo.

Foto com alguns dos artistas após o espetáculo.

Ammed e Abdon Tuniziani, Flyer e Catcher do Cirque vestindo o manto caveirístico do Circocan!
A rotina de artista no Soleil não é moleza. São nove shows por semana, e apenas um dia de folga , as quarta-feiras. Além disso, treinos e ensaios pelos menos duas vezes por semana. A vida em Macau é confortável apesar de um pouco monótona a médio-longo prazo, a cidade é pequena e além das baladas nos Casinos e dos passeios turísticos (prédios históricos) não há muito para se fazer. Mas, ao contrário da China, é mais fácil de se encontrar restaurantes ocidentais, e mesmo nos mercados a variedades de produtos é maior, e até mais em conta.
Durante os dez dias que passei por lá, ainda pude visitar e assistir à produção de Franco Dragone intitulada House of Dancing Water – um espetáculo de dança, acrobacias e entretenimento realizado sobre uma piscina com cerca de 10 metros de profundidade. Mergulhos de mais de 20m, cenários e estruturas que surgem do nada dentro da piscina e até um número de acrobacias em motocicletas são algumas das atrações da superprodução que custou cerca de US$ 250 milhões. Mais uma vez, graças a alguns amigos, conseguimos visitar toda a estrutura do show, parte de máquinas e rigging, e como funcionam todos os bastidores do show.

Foto no segundo andar dos bastidores do House of Dancing Water show.
Coloquei mais algumas fotos da viagem e dos shows no facebook, é so clicar aqui para ver. Com certeza estou esquecendo de contar alguma coisa, por isso compartilhem e comentem no post, assim posso contar mais sobre a vida circense no Oriente!
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Bom pessoal, como muitos de vocês já sabem esse ano o Circocan promoveu intercâmbios internacionais, mandando professores para treinar em escolas acrobáticas ao redor do mundo. Já colocamos aqui alguns posts sobre a vida de treinos e acrobacias na China na Beijing International Art School, com relatos meus e do Tiago Lambão.
O que muitos não sabem, até porque acabou acontecendo até de última hora, é que nos meses de Junho e Julho a professora Fernanda Jorge conseguiu durante sua estadia na Itália frequentar e realizar alguns curso na FLIC – Scuola di Circo.
Copio abaixo os relatos e impressões da escola, uma das mais tradicionais da Itália, localizada em Torino:
Em 1844, Rodolfo Obermann instrutor de ginastica da Academia Militar de Torino fundou a Reale Società Ginnastica di Torino o que difundiu a ginastica artística pela Itália. A nove anos foi fundada a FLIC Scuola di Circo contemporâneo, que traduz a linguagem técnica da ginastica e da dança em expressão artística. A escola utiliza um edifício localizada em Torino, Itália, onde no andar térreo esta a secretaria, refeitório, museu e o teatro.

Treinos e espetáculos são realizados no teatro, e na área de acrobacias e circo principalmente trapézio, tecido, corda bamba (em cabo de aço) e roda alemã. Porém no mesmo local acontecem também treinos de atletismo (salto sobre barra) e fisioterapia – existe uma academia na lateral do teatro. No segundo andar a arquibancada para teatro e uma sala de dança. Ja no terceiro andar fica a sala da ginastica olímpica onde foram instalados alguns equipamentos de circo e é nessa sala que estou treinando. No quarto andar fica uma sala de alongamento e aulas de pilates.
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A escola funciona o dia inteiro com diversas opções de aulas, tanto para o circo quanto ginastica e são separadas entre crianças e adultos, e adulto básico e avançado. As aulas avançadas são bem divididas entre treinamentos físicos no solo (corrida, exercicios específicos, abdominais, flexões) e a parte mais técnica onde cada aluno se dirige ao aparelho que deseja se apronfundar.
Os professores se dividem entre tecido e trapézio/lira. Em geral – como está em alta na Europa – as acrobacia aéreas são mais focadas em performances dinâmicas (menos posições estáticas e mais trocas rápidas), com técnicas mais conteporâneas. Esse estilo é um pouco diferente do que realizamos no Circocan, o que é excelente, já que poderemos colocar nas aulas e treinos novos exercícios e dinâmicas para treinos de tecido, trapézio e lira.
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Ainda pude presenciar algumas performances de artistas e alunos que estavam treinando para a performance de fim de ano da escola (o ano letivo na Europa vai de Agosto a Junho). Idéias e conceitos importante e interessantes que poderemos explorar no Brasil assim que voltar.
Mas antes de voltarmos ao Brasil, o Circocan recebeu reforços em terras chinesas! Graças ao bom relacionamento aqui na escola, e as tarifas aéreas facilitadas conseguimos que a Fefa viesse pra Beijing treinar conosco por duas semanas, assistir alguns espetáculos e conhecer a escola e nossos colegas. Ainda essa semana postaremos algumas fotos de treinos da equipe Circocan na China, por enquanto vai a foto do espetáculo que assistimos na última terça-feira.
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E ai meu Brasil!
Ouvi falar que estão congelando porai! Por aqui o calor é quase que insuportável, ar seco, as vezes bem poluído, chuva raramente a cada 10, 15 dias. Normalmente 30, até 35 graus durante o dia, e no sol a sensação térmica é de muito mais. Para treinar não é de todo ruim, muito melhor que treinar no frio, mas as vezes o calor desgasta o corpo mais do que estamos acostumados, com isso o rendimento cai um pouco quando não conseguimos repor todos os minerais e liquídos perdidos.
Como tenho muito para contar, dividirei os próximos posts em 3 assuntos, explorando a instituição (Beijing International Art School) e como as coisas funcionam por aqui, nossa rotina de treinos e vida em geral, e as pessoas com as quais convivemos por aqui, artistas, colegas, professores…
Hoje falarei sobre a Beijing International Art School (BJIAS), insituição que estamos estudando, treinando e morando. A maioria das informações são muito do que ouvimos e um pouco do que podemos ler aqui que é traduzido para o inglês.
A Beijing International Art School foi fundada em 1999 para contemplar e hospedar os estudos das principais atividades relacionadas as artes. Para isso, juntou-se à já existente Beijing Acrobatic School e criou uma escola com 3 departamentos principais – Acrobacias, Artes Marciais e Dança. Obviamente por ser o mais tradicional e antigo no país o departamento de acrobacias ficou com maior destaque, e com os maiores investimentos de estruturas e pessoal.

Projeto final da escola – maior parte já concluída, mas ainda com algumas construções inacabadas
No mesmo complexo fica sediada também a China National Acrobatic Troupe, grupo que possuí os melhores acrobatas dos país, e foi a primeira trupe da China, estabelecida na década de 50 pelo governo. Dentre os prêmios, destaque para o Golden Award no 28th Festival de Circo de Monte Carlo, condecoração máxima no circuito de circo e acrobacias. Ainda vale citar os dois primeiros lugares no Cirque du Demain Festival – Golden Award com o ato de Slack Wire na 24th edição e o Diabolô na 26th edição.
Pela primeira vez em sua história a China National Acrobatic Troupe fará turnês pelos Estados Unidos e Canadá, apesar de já ter viajado pela maioria dos países Europeus, América Central e Ásia. Encontrei um pequeno informativo divulgando a nova turnê do grupo na América do Norte, eles citam brevemente a estrutura do escola e como funcionam as pesquisas e produções da instituição. Para quem quiser ler (em inglês): http://www.cami.com/?webid=1928
A estrutura aqui é de invejar qualquer grande universidade no Brasil. A cultura de acrobacias faz parte do dia-a-dia do país, e por isso se investe pesado. A instituição é financiada pelo governo, e diferentemente do Brasil, por ser do governo é tudo novo, bem cuidado e estruturado. Já contei com detalhes a estrutura de treinos no post anterior, mas basicamente são 3 grandes prédios, mais dormitórios para cerca de 400 pessoas, mais 2 prédios residencias para estudantes e professores… sem contar refeitórios, cantinas, quadras poliesportivas, bosque…
É difícil imaginar que algum dia pretendemos competir nos esportes olímpicos com um país que investe tanto no esporte e na cultura. O que vejo aqui é só um pedacinho do que acontece pelo país afora. Se eles tem uma estrutura dessa para circo e acrobacias, que não tem o mesmo apelo comercial e econômico dos esportes olímpicos, imagina o que eles não fazem pra conquistar bons resultados no evento esportivo mais importante do mundo…
Nossa escola é apenas uma das várias espalhadas pelo país, talvez seja uma das mais bem equipadas, mas não é a única com este nível. Basicamente cada região/cidade tem sua própria escola de circo/acrobacias, isso sem contar as mais fechadas que ainda funcionam numa espécie de regime militar e acabam tendo um treinamento mais intenso. Pudemos ter uma noção do nível de investimento e importância dado as acrobacias há cerca de duas semanas, quando fomos levados pra assistir a uma competição "interescolar". As principais instituições do país levam um ato para apresentar aos juízes, no total foram 24 escolas cada uma com um ato diferente.
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Foto do espetáculo da China National Troupe – Handstandas, Hand to Hand e equilíbrios
Pelo que vimos, o da nossa escola era o mais consistente, com artistas mais experientes (o número apresentado foi o mesmo feito no Cirque du Demain Festival ano passado), mas mesmo assim outros 2 ou 3 números batiam de frente com o nosso. O nível técnico de todos os atos era bem elevado (Teeter Board com duplo/triplo, banquines com duplos piruetados, handbalancing a 10m de altura) se levarmos em consideração que são em sua maioria alunos (crianças e adolescentes), mas algumas vezes pela inexperiencia cometendo alguns errinhos bobos.
Além dessas competições, as principais escolas tem um show permanente que viaja ou algumas vezes fica residente em algum teatro local. A National Acrobatic Troupe tem o show que viaja o mundo, que são os dos artistas "top" do grupo (que saem nas turnês citadas anteriormente). Ainda, tem outros 3 grupos "A", "B" e "C" que seria o equivalente a "primeira, segunda e terceira divisão" dos artistas da trupe e realizam excursões dentro do próprio país e shows em Beijing.
Todos os artistas treinam aqui no mesmo local que a gente (na maioria das vezes em salas diferentes), e podemos acompanhar o dia-a-dia e a rotina de todos eles. Quase que 100% moram aqui dentro do complexo, comem, treinam e dormem aqui desde pequenos. No período de férias (julho e agosto) apenas os departamentos de dança e artes marciais saem, todos os acrobatas permanecem treinando já que os shows e produções não param.
As crianças iniciam seus programas de treinamento ainda pequenas com 7, 8 anos e podem ficar até os 15, 16 estudando no programa regular da escola (dança, acrobacias ou artes marciais). A partir dessa idade ficam por aqui os que estão qualificados para fazer parte da trupe (equipes de apresentação e treinamento de alto rendimento), ou então os que querem finalizar seus estudos acadêmicos na instituição.
Valendo um escorpião no palito – quantos anos tem as chinesinhas na foto com a gente?
Assim, podemos dizer que convivemos numa atmosfera bem heterogênea. Crianças, adolescentes, adultos, todos treinando juntos, se ajudando e evoluindo todos os dias. É bem comum menininhas de 12, 13 anos trabalhando com acrobatas de 25, até 30 anos desenvolvendo números de hand-to-hand, straps, etc. No começo é um pouco estranho, mas faz todo o sentido, pois após receberem as primeiras experiências (dos 7 aos 12) com dança, flexibilidade e controle corporal, elas são encaminhadas para o trabalho especifíco acrobático, já visando a criação de um número para a Trupe Nacional.
Bom como vocês viram temos muito o que contar aqui, coisas que nem imaginamos quando estavámos no Brasil. No próximo post falaremos sobre a rotina de treinos e vida aqui do outro lado do mundo. Acompanhem, compartilhem e curtam!
E ai meu povo brasileiro!
Estou na China ha pouco mais de 15 dias, e infelizmente ate agora nao tinha tido muita chance de escrever pra voces. Na verdade, alem da pequena dificuldade em conseguir um local com internet boa, tempo e um bom computador, eu preferi me envolver com tudo por aqui, amigos, professores, alunos e cotidiano antes de escrever pra voces.
Gracas a alguns contatos que eu ja tinha feito com colegas daqui, no meu segundo dia no pais ja consegui visitar a escola, conhecer a estrutura, alguns estudantes, e no fim das contas ja fiz minha “mudanca” pra morar com meus companheiros de curso. Por acaso, eles estavam com um quarto sobrando em seu apartamento, e logo no primeiro dia de contato comigo ja me convidaram pra dividir moradia.
Desde entao, estou morando com eles. Nosso ap fica dentro do complexo da escola. Junto do centro de treinamento (ginasio gigante pra acrobacias aereas, um predio de 5 andares pros estudantes internacionais com varias salas pra acrobacias, artes marciais e danca, outro predio para os estudantes chineses com os dormitorios, academia e enfermaria, e um terceiro predio com as salas de aula para os estudantes mais novos), existem dois condominios de apartamentos que podem ser alugados. Veja abaixo imagens da estrutura da escola, e de algumas das salas de treinos:
Diferente do que pensava, sao moradias relativamente confortaveis e grandes, o meu tem 2 quartos sala de estar/jantar, banheiro, cozinha, e ate uma varandinha. Conseguimos morar em 4 pessoas aqui confortavelmente. Pra completar temos internet com wi-fi, apesar de muitos sites serem bloqueados aqui na China (Facebook, Twitter, Youtube…).
Tive a sorte de chegar aqui na Beijing International Art School num momento unico. Como ja havia dito em algum dos posts anteriores, a cada 7 anos e mandado pra ca um grupo de criancas russas, que ficam por aqui treinando ate terem um show inteiro montado. Exatamente na semana da minha chegada aqui, estava ocorrendo os preparativos para a formatura deles. Pra celebrar o fim do ciclo, em vez de uma “festa de formatura”, foi preparado um grande espetaculo num teatro no centro de Beijing.

Ensaio – dois dias antes do show
Na apresentacao participaram todos os estudantes estrangeiros da escola, os 21 russos (entre 12 e 18 anos) e mais cerca de 20 oriundos de outros locais (Estados Unidos, Australia, Mexico, Inglaterra, Franca, Turquia – todos acima dos 25 anos). Obviamente os atos principais foram protagonizados pelos russos (ja que era a festa deles pros pais, patrocinadores e professores que participaram dessa longa jornada), mas “nossa” participacao foi bem legal e mostrou um pouco da cultura ocidental para uma plateia recheada de chineses.
Eu, como cheguei faltando apenas 5 dias, acabei nao indo pro "palco", o que no fundo foi muito melhor. Pude acompanhar todos os bastidores, ensaios tecnicos, som, luz, alem de ter fotografado e filmado todos os momentos. Sem duvida, ja vi muita coisa que poderemos implementar ai no Brasil em treinos, apresentacoes e aulas.

Cena final do show, todos os alunos. Provavelmente em breve terei o dvd, mas ja coloquei alguns video no Facebook
Bom esse foi o resumo da minha primeira semana na China, tem muito mais coisa pra falar, mas nao quero misturar os assuntos. Nos proximos posts falarei sobre os metodos de treinamento, como funciona a escola, quem e o que acontece por aqui, a divisao das 4 trupes nacionais que representam a instituicao, os pontos positivos e negativos….
Enfim, apesar de estar aqui ha menos de 15 dias, ja tenho muito coisa pra contar. Isso sem dizer dos meus colegas, divido apartamento com um acrobata (o que aparece na foto comigo la em cima) que foi do Cirque du Soleil por 2 anos e e formado pela Escola Nacional de Circo de Montreal (atualmente o curso mais conceituada de circo moderno). Mesmo dentro de casa e so sentar e ouvir as historias e ver videos de bastidores, treinos e apresentacoes das melhores escolas, trupes e companhias de circo do mundo…

Uma das rotineiras noites de videos, fotos e discussoes sobre shows e treinos!
Por ultimo queria me desculpar pela falta de acentos nas palavras (laptop chines, semi-configurado em ingles, haha), e pedir para que compartilhem o post para levarmos o maximo de informacoes daqui ai pro Brasil. Apesar de acontecer muita coisa boa por aqui, quase nada chega ai no Brasil! Saudades de todos e se cuidem por ai….
Aula Circo Curitiba Acrobacias
fala galeree!
Vim dar uma atualizada nas notícias, e pedir desculpas né, disse que ia postar bastante nesse período que to lesionado, e nem postei! haha
Na verdade, muita coisa que eu achei que ia acontecer, não aconteceu… Quem me conhece, nem que seja só um pouquinho sabe que eu sou mega hiperativo né? haha
, com a minha lesão, eu achei que ia ficar trancafiado em casa sem poder fazer nada, bravo por causa do tempo que ficaria de molho e tudo mais…
O que aconteceu, mais uma vez, me provou que nada acontece por acaso, tive mil coisas pra fazer aqui, pintaram coisas pra se resolver que se tivesse eu e Pedro na China, seria muito mais complicado, e a parte do "ficar parado em casa" funcionou só nos primeiros dias… hahaha
Tive muito tempo pra refletir, respirar e me preparar melhor pra China, fui liberado há poucos dias pra treinar da cintura pra cima, evitando pisar no chão, pra não me machucar… Por um lado, isso vai ser ótimo, por que, tenho certeza de que logo que chegasse na escola, ia querer treinar tudo que eu já sei fazer razoavelmente bem, e agora, como vou ter que chegar mais calmo, vou ter tempo pra aprender tudo "do zero" indo bem devagar, bem tecnicamente, trabalhar bastante parada de mãos, que é algo que eu curto bastante e nunca me empenhei tanto como agora…
A idéia de "tirar proveito da situação" seja ela qual for, vai valer muito agora, começar devagar denovo, fazer tudo, desde o começo, vai me possibilitar tirar meus vícios de movimentação, prestar mais atenção no meu corpo e na minha evolução, vai ser como aprender tudo denovo, acredito que isso vai me ajudar e muito no meu parkour, não no parkour arte, "esporte", no meu parcous, na minha vida, em tudo.
Dá pra tirar um lição bem legal de tudo isso, que vale pra mim e pra vc!
além do "nada acontece por acaso", isso vai servir pra mim, naquele dia que eu estiver emburrado, chateado com o mundo e sem vontade de fazer nada, vou olhar pra trás, e lembrar de como eu tava confiante no dia que tava lesionado, super ansioso pra viajar, e usando o "obstaculo" de se machucar, como um obstáculo de treino, um treino mental, que me fez crescer muito, e acredito que vai ajudar muito mais.
Mudando de assunto, gostaria de agradecer, mas, se eu ficar a tarde toda aqui, não vou conseguir colocar em palavras a maneira que quero me expressar.
Sempre soube que podia contar com todos meus amigos, que todos se mostraram sempre de prontidão pra tudo e qualquer coisa, mas, me surpreendi e me surpreendo toda hora com demonstrações de carinho, brodagem, e prontidão de todos meus amigos… Não vou listar todos aqui, por que é MUITA gente, muita gente que muito antes de eu pensar em me machucar, já faziam parte da minha vida, e não é por que me ajudaram agora que vou dizer que "se precisarem de mim, estarei aqui", por que já disse isso há muito tempo atrás, e isso é reciproco e aumenta mais a cada dia, só uma coisa muito maior do que palavras consegue traduzir isso…
Pra finalizar, mais um foto minha "em casa, parado" haha
Vou tentar fazer mais um postzinho nos meus 8 últimos dias de Brasil!
Aula Circo Curitiba Acrobacias
Aaaaaaarh como é dificil escrever um “até logo” pra um irmão haha
Diferente dos posts que costumo fazer aqui, “pra galera”, esse é especial pra meu melhor amigo que por muita sorte minha, é também amigo de trabalho.
Boa viagem mano, não tenho nenhum texto preparado pra colocar aqui, porque, só fiquei sabendo que não ia contigo semana passada, e convenhamos, que, essa ultima semana demorou umas 4 vezes a mais do que o normal pra passar né? Dodja é aí vu!
Te cuida, veja se lá na escola tem rampa pra acesso de mancos, domine o mandarim, que daqui 24 dias to chegando pra pegar minha borracha bracelética! Hahaha
Não farei um post gigante aqui, contando como tudo começou, tudo que passamos até agora , porque com certeza, isso faz parte só da pontinha de um iceberg gigantesco.
E também porque, essa viagem pra China não é a chegada, faz parte do caminho, e que, muitas vezes é mais importante do que o destino em si né?!
Te amoamos,(rá, acabei de inventar uma palavra nova haha) e mande notícias né?
Paro por aqui, porque to em recuperação e chorar vai me desidratar. Hahaha
Te amo Irmão.
Beijo.
E pra quem quer saber oq é Zàijiàn Wǒ de péngyǒu! é só clicar em “compartilhar”
(brincadeiraaa hahaha significa Tchau meu amigo! em Mandarim!)

Normalmente diante de uma dificuldade ou obstáculo precisamos nos apegar a alguma crença maior, para que possamos entender (ou tentar entender) os porques dos acontecimentos. Muito melhor é usar os fatos da vida para aprender com eles, superá-los, amadurecer e entender que tudo acontece por uma razão.
Na ultima quarta-feira (ontem) enquanto estavamos dando aula pra uma turma da graduação na PUC, o Lambão torceu o pé e teve uma hiperextensão do Tendão de Aquiles (tendão calcâneo). Para não chegar na China lesionado, e arriscar agravar o problema, decidimos que ele irá realizar um mês de tratamento aqui no Brasil, e dia 10 de Junho irá me encontrar em Beijing.
O que para muitos pode parecer "o fim", ou causar uma decepção grande é encarado diferente por nós. Nada melhor do que um Mestre do Parkour como o Lambão para nos ensinar que os obstáculos estarão no nosso caminho, cabe a nós enfrentarmos e superarmos ou apenas desistirmos e parar no meio do caminho.
Aproveitando nossa viagem pra China, e entrando um pouquinho na complexa e rica filosofia e cultura chinesa, vale citar a sabedoria oriental para analisar esse acontecimento, e entender porque não deve ser visto com arrependimento e tristeza. Ao contrário, deve ser visto como parte do Caminho, da opção que fizemos em viver da adrelina, da alegria, dos limites do corpo e da mente.
O Caminho (tradução literal do Tao – 道), é uma filosofia chinesa difundida por Lao Tse. Para o Taoísmo todas as coisas são felizes desde que evoluam de acordo com a sua natureza. Por isso, agora apesar de um pouco chateados, sabemos que isso é a vida e as coisas acontecem no momento em que devem.
Ainda, a China está lá há mais de 5.000 anos, e não vai ser em um mês que ela vai embora né? hahaha nesse meio tempo, eu vou preparando o terreno pra chegada do Lambão, e é claro aprendendo mandarim pra ser o tradutor dele nas primeiras semanas (NOT!). E ele, enquanto se recupera poderá ajudar na organização dos acontecimentos do Circocan, como o Acrobatividade II que rolará no começo de Junho!

Pra finalizar uma citação do Tao (道):
"A atitude taoísta é seguir com a vida – seguir ao longo de todo o caminho, sem impor condições. Seja aonde for que a vida o leve, siga com ela. Você é fruto da vida, você faz parte dela, então como ela poderia feri-lo? Não é preciso ter medo."
Bom, esse post sairá no meu nome, mas sei que o Lambão também compartilha e concorda com tudo:
Ultimamente tem sido dificil escrever sobre nossa viagem para a China!
Aulas, eventos, produção de comerciais… ficamos lotados de trabalho (ainda bem!) nessas últimas semanas no Brasil. Apesar disso, em nenhum momento conseguimos esquecer da viagem, nem mesmo relaxar e não falar dela a todo momento. Agora, faltando exatos 14 dias para o embarque (o post entrou no ar as 11h – horário que embarcaremos) começa a apertar o coração e o nózinho na garganta.
Desde o meio de março estamos com toda a documentação pronta, "apenas" esperando o embarque (isso é a pior parte, esperar e conter a ansiedade). Com a proximidade da viagem, milhões de idéias, medos, curiosidades e questionamentos veem a cabeça. O que encontraremos lá, como será a rotina, como ficarão os amigos, famílias, alunos e o Circocan por aqui…
As vezes parece que estamos sendo "testados", pois no último mês foi incrível o número de trabalhos, clientes e perspectivas de novos negócios que pintaram, quase como dizendo "tem certeza que vocês vão mesmo…?". Apesar de sabermos que será uma experiência fenomenal e até se tudo der errado e nos colocarem lá colhendo arroz por 4 meses será legal; bate uma saudade e uma certa insegurança.
Pra acalmar essa sensação de dúvida, nada melhor que a racionalidade. Ver fotos, conversar com quem está por lá, lembrar o "sonho utópico" que essa viagem parecia ser, reler emails e mensagens da nossa ansiedade antes da aprovação no curso, pesquisar locais e coisas pra ir e conhecer por lá, aumentam ainda mais a vontade de viajar e aprender com uma cultura totalmente diferente da nossa.
Parando pra pensar, rapidinho sabemos que nossa cabeça e nosso coração querem ir e vivenciar algo único.
Mais do que nunca estamos preparados, tanto no aspecto profissional, como no pessoal. O Circocan nunca esteve tão forte e estruturado, e certamente nossa equipe manterá o padrão de qualidade e excelência da escola. Ainda, o treinamento na China é mais uma etapa do crescimento, internacionalização e fortalecimento do Circocan. Sem dúvida voltaremos cheio de idéias, projetos, métodos e com muito conhecimento para compartilhar.
A partir de hoje entramos na contagem mais-do-que-regressiva (a regressiva começou lá pelos 80 dias… haha) e com menos de 15 dias pra viajar, esperamos conseguir dedicar um pouco mais de tempo pra compartilhar nossas idéias e expectativas pré-China. Pra isso, contamos com vocês perguntando e sugerindo temas para abordamos.
Já começamos a lista das coisas indispensáveis para fazermos lá, caso você tenha alguma sugestão ou dúvida e quer que a gente confira e conte como é, nos escreva! Antes de irmos ainda nos veremos por aqui, por isso não vou me despedir! ;)
Aula Circo Curitiba Acrobacias
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Ni hao!
Como já citei no post inaugural do blog, este ano eu e Lambão passaremos por um período de aulas e treinamento de Circo e Acrobacias na China. A viagem vem sendo planejada desde o ano passado, e em Janeiro desse ano recebemos a resposta definitiva, de que havíamos sido aprovados.
A Beijing International Arts School é uma instituição do governo chinês, que funciona como uma escola secundária no país. Por lá passam todos os estudantes em idade escolar a partir dos 9, 10 anos. Muitos deles acabam ficando e seguem carreira no Circo Imperial da China, ou sendo “exportados” para outros circos internacionais.

Departamento de acrobacias da Beijing International Arts School
Apesar de os técnicos e instrutores serem extremamente qualificados – a maioria deles são ex-artistas e atletas de acrobacias do Circo Imperial da China, e das equipes olímpicas chinesas – a divulgação e o site são extremamente discretos e pobres. É bem difícil encontrar informações, fotos e vídeos, mas depois de muito fuçar conseguimos contato com alguns alunos que estão lá atualmente.
Além do departamento de aulas de acrobacias, se juntam a instituição, os departamentos de artes marciais (Kung-Fu e Wu-Shu), danças chinesas e pinturas. A parte de acrobacias é a mais relevante, já que foi ela que deu origem a escola (antigamente chamava-se Beijing Acrobatic School). Por ano, são aprovados no máximo 50 estrangeiros para treinar e viver na instituição.
Muitos desses estrangeiros vem de países asiáticos, sobretudo Rússia, já que o alinhamento político desde os tempos da União Soviética, garantiu boas parcerias com o governo Chinês. Atualmente encontram-se na escola, até onde conseguimos pesquisar, cerca de 20 russos, a maioria deles vindos de uma província no nordeste da Ásia, intitulada Yakutsk.

Ginásio principal para acrobacias
De acordo com o pessoal que contatamos via Skype, os russos deixam a escola prontos para entrarem em qualquer show de alto nível. Normalmente eles passam um período de 7 anos treinando na BJIAS, e cada artista sai de lá com 3 ou 4 atos diferentes de acrobacias (chinese poles, hand-to-hand, equilíbrios, tumbling, etc).
Por coincidência, esse ano encerra-se o “ciclo”, e logo depois que chegarmos no mês de Maio, o grupo de russos que já está lá por 7 anos estará deixando a escola. Já em agosto, chega a próxima leva, que por lá deve permanecer pelo menos 5 anos.
Bom, temos muito o que contar sobre lá… vou ficando por aqui pra não deixar o post muito longo. Em breve escreveremos mais.
Perguntem, comentem e compartilhem!
Zai jian!